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Crítica do filme Godzilla

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Por Lucas Maia do site Máquina das Artes: A refilmagem do clássico japonês Godzilla desse ano é definitivamente um longa sobre pessoas e seus dilemas. A partir dessa premissa temos então como pano de fundo a ameaça de criaturas colossais rumo à destruição de cidades e a aniquilação de populações. É certo que para se ter uma boa trama de suspense é essencial que haja o ponto de vista das vítimas, afinal é ela que constrói uma relação de “preocupação” entre o expectador e os mocinhos do filme.

Mas nesse Godzilla dirigido por Gareth Edwards (Monstros) o personagem tema do filme se contenta com pouquíssimo tempo de tela, sem contar no desnecessário desenvolvimento de seus personagens humanos. O primeiro ato do filme é o que mais sofre por apresentar quase uma hora do arco estrelado por Aaron Taylor-Johnson e Bryan Cranston. Sofre porque é paciente demais ao apresentar seus argumentos e no fim das contas se mostrar irrelevante para o saldo final do longa.

 

Dito isso, a espera por um filme catástrofe se prolonga demais em um desenvolvimento muito arrastado de personagens que gostaríamos de ver como coadjuvantes e não o contrário. E por mais que a esperança do expectador em ver o caos se proliferar se mantenha após a metade lenta do filme já ter corrido, o tão aguardado Godzilla de cem metros não é exatamente a criatura que tanto esperávamos.

 

 

Não se trata do design da criatura, que aliás é bastante convincente e ameaçadora, mas sim das “motivações” da criatura e seu verdadeiro papel no desenrolar da história que se mostra no mínimo broxante. Afinal a grande maioria espera uma verdadeira besta, sem consciência ou limitações e que apenas tenha através da sua gigantesca forma e instinto de predador, o objetivo de destruir por onde quer que passe. Infelizmente o argumento construído pelo roteiro de Max Borenstein e Dave Callaham limita nossa criatura.

 

Mesmo que possua algumas boas cenas de ação, como a descida de paraquedas que já tinha sido apresentada nos trailers, além de algumas poucas cenas de destruição que provam o potencial da direção de Edwards nesse quesito. Outro destaque é o uso apropriado dos efeitos sonoros durante as cenas efetivas de ação que ajudam a criar certa tensão. Seria muito mais proveitosa a valorização dessas cenas de ação e destruição, para o que se espera em um filme que tenha Godzilla no nome.

 

 

E pra não continuar falando sobre a superficialidade dos personagens de Taylor-Johnson e Cranston é válido lembrar que em termos de inutilidade, os papeis de Ken Watanabe e Elizabeth Olsen são os piores. O primeiro como um cientista colocado em tela apenas para exercer a importante função de falar o clássico bordão: Gojira! A segunda parece estar perdida ou jogada no filme apenas pra ganhar tempo em uma subtrama pouco funcional.

 

Godzilla poderia ter sido uma oportunidade bem aproveitada, até mesmo usando algumas das cenas desse produto final, mas investindo muito mais no potencial de sua verdadeira matéria prima. O exemplo perfeito da falta de foco no elemento mais importante do filme é quando finalmente temos a oportunidade de assistir ao primeiro confronto de Godzilla com seu “antagonista”, mas o diretor simplesmente corta a cena. É entristecedor.

 

O grito amedrontador de Godzilla que ocupa as caixas de som do cinema algumas vezes durante o filme, talvez seja na verdade o apelo desesperado da pobre criatura em tentar fazer parte do seu próprio filme monopolizado por essas pestes chamadas de seres humanos.

 

NOTA: 6,0 (Razoável).


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