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O Transeunte sai na frente na corrida pelos Candangos

Tamanho da Fonte      Redação CerradoMix

[legenda=Eryk Rocha e a equipe de o Transeunte no Cine Brasília.  Um favorito para vários prêmios ]A segunda noite do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro foi marcado pela a apresentação de dois fortes candidatos ao prêmio Candango. O Transeunte, de Erik Rocha, e Angeli 24 horas, de Beth Formaggini. Cada um ao seu modo levou à tela do Cine Brasília a abordagem do universo urbano e da solidão. O primeiro em um belíssimo trabalho de pesquisa do cotidiano do homem comum, o anônimo que toca a sua vida e que compõe a enorme massa das cidades grandes. O segundo em um mergulho na vida do cartunista Angeli, que estrai da metrópole seus personagens e ambientações.

Já na apresentação do filme, quando a equipe de O Transeunte subiu ao palco, Erik demonstrava nervosismo, mas levava consigo a convicção de ter feito um trabalho bem feito. Apresentou toda a equipe e disse que o Cine Brasília era o lugar ideal para o nascimento do seu  filme. “Aproveitem a viagem”, aconselhou.   

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E o que se viu a seguir foi exatamente uma viagem. Durante a exibição do filme o público foi capturado de tal forma pelas imagens, que nem a quase falta de diálogo conseguiu tirar a atenção do espectador. “O filme parece ser lento mas na verdade tem uma cadência que rouba nossa atenção”, disse o estudante de arquitetura Joaquim Carvalho. Montagem precisa, fotografia irreparável e uma atuação detalhista do ator Fernando Bezerra, que sem falar, transmitiu toda a carga do cidadão comum. É um trabalho  de precisão milimétrica, regulada a cada olhar e amplificada a cada plano. “No teatro você precisa ampliar o sentimento para que todo mundo perceba. No cinema você não precisa fazer isso, porque a câmera vai buscar isso em você”, explicou no fim da sessão. Com esse trabalho Fernando sai à frente na corrida pelo Candango de Melhor Ator.

Destaque também para música, que pontuava o filme com boleros, sambas-canção e músicas de forte apelo popular. No fim da exibição, ainda com os letreiros subindo a tela, o público aplaudia com vigor. “Adorei! Foi o melhor lugar para o nascimento do filme”, disse Erik. “Esse filme tem  um ritmo, uma coisa musical e o público entendeu a proposta”, comemorava o diretor entre abraços  os dos amigos.

Angeli, também conseguiu boa aceitação na noite de ontem. Com uma proposta interessante de fundir imagens dos quadrinhos do cartunista com o local da entrevista, a diretora obteve um efeito original e fiel ao mundo criado por Angeli. O próprio personagem parece fazer parte dos seus quadrinhos. Ou seria o contrário? A mistura é bem feita e pontuada pelo mau/humor ácido de um dos quadrinistas mais populares do Brasil.

O segundo curta da noite, Contagem, dos mineiros Gabriel e Maurilio Martins, pagou o preço por ficar espremido entre O Transeunte e Angeli. O filme é um trabalho de conclusão de curso e traz consigo as imperfeições de um trabalho de estreia, a começar pela falta de originalidade do roteiro, que utiliza a velha fórmula tarantinesca de contar um fato a partir do ponto de vista de três personagens diferente que se cruzam.


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