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Um filme feito de contrastes e surpresas

Com humor, minúcias e cenário contrastante, Os Descendentes é o ponto perfeito entre o cinema de autor e o gosto popular

Tamanho da Fonte     Humberto Viana  Redação CerradoMix

[legenda=Gergoe Clloney e Shailene Woodley. Cuidado especial com o elenco ]O filme Os Descendentes estreia nesta semana em Brasília ostentando uma carreria vitoriosa. Só para citar os fatos mais marcantes, a produção se destacou no Globo de Ouro, onde arrebatou o prêmio de melhor filme de drama e melhor ator de drama; e, na úlitma terça-feira (24), foi indicado ao Oscar nas categorias filme, direção, ator e roteiro. Mas esqueça as estatuetas e reconhecimentos da indústria e pense apenas em dois nomes: Alexander Payne e George Clooney. O primeiro é um dos diretores mais originais da atualidade, o segundo um dos atores mais versáteis e inteligentes de sua geração. São eles os principais motivos para assistir ao filme.

 

A história de Os Descendentes é baseada no romance de Kaui Hart Hemmings, um drama sobre um marido displicente e pai ausente que é forçado a re-estabelecer sua relação com as filhas. Tudo por conta de um acidente sofrido por sua esposa, que agora vive em estado vegetativo. O protagonista é Clooney, que interpreta o advogado Matt King, homem que sempre se dedicou ao trabalho e que também é responsável pela venda de um grande terreno herdado por seus antepassados.

 

 

 

O cenário de toda a ação é o Havaí. É ali, em meio ao mar deslumbrante e natureza generosa que os fatos mais dramáticos se desenrolam. Um contraste explicitado já nas primeira cenas. “Meus amigos pensam que eu moro no paraíso e que surfo todos os dias. A última vez que surfei foi há quinze anos e meu paraíso agora é feito de sondas, sacos de urina e tubos de hospital”, diz Matt. Uma mensagem presente em todo o filme. A sua vida pode ser transformada a qualquer momento, e em qualquer lugar.

 

É nessa oposição que sobressai o talento do diretor Alexander Payne. Ele que já mostrou distinção em filmes como Sidways – Entre Umas e Outras, em Os Descendentes chega a um ponto equidistante entre o trabalho autoral e a fórmula comercial. Famoso pelo senso de humor negro e representações satíricas da sociedade americana, aqui ele não renega suas características. Um dos seus temas favoritos, o adultério e os relacionamentos amoroso, ganham abordagens originais e imprevisíveis.

 

O filme é singelo, preciso, bem-humorado e cuidadoso nas interpretações. E é aí que entra George Clooney. Presente em quase todas as cenas do filme, ele arranca boas risadas e lágrimas do espectador. Uma performance inédita em sua carreira. Famoso por encarnar personagens que desfilam charme e confiança, é muito prazeroso vê-lo como o sujeito inseguro, sensível e com certo desleixo. Ao seu lado, um elenco que surpreende. Shailene Woodley, como a filha adolescente e desajustada e Amara Miller, como a caçula problemática, rendem boas e más emoções e garantem frescor com suas estreias nas telas.

 

Talvez a resolução da história seja um tanto quanto comum. A tal da concessão do autor promove conciliações simplistas e desfecho facilitado para o público. Ainda assim, Os Descendentes é uma boa forma de viajarmos por narrativas verdadeiramente originais.

 

 

 

 


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