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Um filme com o destino dos deuses

Tentativa de inovação desperdiça os épicos gregos e Fúria de Titãs 2 não surpreende em nada o público

Tamanho da Fonte     Thandara Yung
tyung@maiscomunidade.com
 Redação CerradoMix

Não é de hoje que filmes de ação apostam em cenas alucinantes de batalhas para esconder seus defeitos. Fúria de Titãs 2, que chega aos cinemas nesta sexta-feira, tenta renovar a mitologia grega, mas cai no tártaro de uma história sem chamarizes. A suposta salvação pelas cenas de luta também desaponta e em nenhum momento a adrenalina chega ao ápice. De bom mesmo, apenas as composições gráficas, que trazem monstros muito mais convincentes.

Na história, após salvar o mundo das garras do Kraken, o semi-deus Perseu decide viver sua mortalidade como um simples pescador para criar o filho Hélio. Com a diminuição da crença dos mortais, os deuses começam a perder suas forças e estão fadados a desaparecer. Em troca da garantia da imortalidade, Hades e Ares fazem um trato com o titã Cronos e entregam Zeus para o sacrifício. Cabe a Perseu, filho de Zeus, juntar-se à rainha Andrômeda, ao semi-deus Agenor e ao deus caído Hefesto para salvar o pai e o mundo.

 

 


O primeiro filme da franquia foi duramente criticado por alterar a mitologia grega. Mas, o que foi o principal defeito da primeira edição acabou se tornando o trunfo da continuação. Com as amarras de fidelidade à mitologia quebradas e jogadas ao vento pelo antecessor, o roteiro fica livre e se permite piadas e novas interpretações dos deuses que são perfeitamente aceitáveis. Da mitologia mesmo, se aproveitam apenas os nomes. Apesar a tentativa de renovação, a história inédita não tem nenhum elemento que prenda realmente o espectador à tela.

As comprações são inevitáveis e é visível o quanto o filme cresceu em relação ao primeiro quando se fala de efeitos especiais. Agora, as criaturas mitológicas são muito melhor inseridas no cenário e a sensação de que “isso é de computador” é reduzida. Aqui, vale ressaltar as boas escolhas estéticas na criação de monstros: em especial o Minotauro, que ganhou um aspecto muito mais bestial do que sempre foi apresentado nas telas.

Mas, apesar de bons momentos cômicos e monstros convincentes, o filme passa batido. E nem as cenas de ação, que costumam ser a salvação de filmes fracos, convencem de verdade. Diferente do primeiro, que abusa de batalhas de tirar o fôlego, as cenas da continuação não têm nenhum momento de glória absoluta. Nem mesmo Cronos caminhando rumo aos mortais para a destruição do mundo gera a aflição que deveria. No final das contas, Fúria de Titãs 2 está fadado ao mesmo destino que os deuses em seu roteiro: será esquecido ainda na fila do lanche pós-sessão.


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