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Enfim, uma novidade para os cinemas

O Príncipe do Deserto chega aos cinemas fugindo dos roteiros padrões de Hollywood

Tamanho da Fonte     Thandara Yung
tyung@maiscomunidade.com
 Redação CerradoMix

Em tempos de mais do mesmo no cinema, O Príncipe do Deserto (Black Gold) chega como uma boa pedida para quem quer fugir dos roteiros com fórmula padrão de Hollywood. De forma muito sábia, o diretor Jean-Jacques Annaud mescla amor, guerra, dinheiro e religião. O argumento pouco comercial, no entanto, acaba apostando em Antonio Bandeiras como ímã de público e não se enquadra no cenário comercial.

O filme se passa na Arábia Saudita da década de 1930, justamente período em que acontece o boom mundial do petróleo. É nesse momento que o jovem príncipe Auda (Tahar Rahim) se vê dividido entre a fidelidade de Amar, seu pai conservador (Mark Strong), e Nassib, seu sogro liberal (Antonio Banderas), no momento em que ambos traçam uma guerra que tem como mote o domínio do império petrolífero na região e o respeito aos antigos costumes religiosos.

A trama mescla três dos assuntos que mais costumam resultar em guerra: dinheiro, religião e amor. Com tantos conflitos simultâneos, é difícil decidir quem é o vilão ou quem é o mocinho, se Nassib ou Amar estão corretos. O que se apresenta é um filme sem preto no branco. A noção de certo e errado muda a cada cena e escolher um lado para tomar partido e torcer a favor é tarefa tão complicada quanto atravessar o deserto chamado A Casa de Alá.

 


Mas para não fugir completamente dos clichês, entra aqui aquela velha história de superação do renegado. O nerd, que nunca foi visto com bons olhos, acaba se tornando o salvador dos povos. Ser inteligente está na moda, e aqui a inteligência do Príncipe Auda é glorificada e apontada como a grande solução dos problemas.

A caracterização é impecável, figurinos e locações parecem ter sido escolhidas a dedo. Tamanha fidelidade é responsável também pela beleza no momentos das batalhas. A cor de turbantes e mantas mesclada ao infinito deserto é de encher os olhos. Outro momentos de caracterização de tirar o chapéu são as cenas de sofrimento no deserto. Atores magros e desidratados ao ponto de gerar agonia no público.

Claramente, Antonio Banderas está no elenco como chamariz de público. No meio do filme, o espanhol perde a importância e dá seu lugar de protagonista a  Tahar Rahim, que não se acanha nem um pouco com o papel e traz uma interpretação extremamente sincera por baixo dos turbantes.

Apesar do cenário e figurinos bem trabalhados, batalhas empolgantes e Antonio Banderas para chamar público, o filme não tem cara de comercial. Parte da responsabilidade vem de uma história sobre mulçumanos, que não é a linha que o grande público está acostumado. Mas o grande problema mesmo é que o filme é longo demais para uma sessão de cinema. No meio do caminho a trama parece parar de render e se arrasta como o um homem sedento no meio do deserto.


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