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Festa nos palcos da cidade
O Festival do Teatro Brasileiro chega a Brasília e cidades-satélites, trazendo mais de 60 apresentações até o dia 3 de junho. Nesta edição, serão apresentados espetáculos produzidos por companhias do Rio Grande Sul, com opções para crianças e adultos
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NARJARA CARVALHO
ncarvalho@jornaldacomunidade.com.br Redação CerradoMix
Espetáculos para crianças e adultos, com histórias trágicas, engraçadas ou cheias de suspense, compõem a programação do Festival do Teatro Brasileiro (FTB). O evento, que se encontra em sua décima segunda edição, tem como principal objetivo valorizar as produções e os artistas nacionais. Em todas as edições, a organização escolhe estados brasileiros para selecionar as peças e, depois, leva os espetáculos em turnês por outros estados. As apresentações são realizadas em escolas, praças públicas e salas de teatro, algumas gratuitas e outras pagas com ingressos a preços acessíveis.
Este ano, o festival já levou peças mineiras para os estados de
São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Cerca de 24 mil pessoas
prestigiaram as sessões. Em maio e junho, espetáculos do Rio Grande do
Sul vão percorrer cidades do Distrito Federal e Goiás. Os brasilienses
terão a oportunidade de escolher, entre mais de 60 sessões, 15 peças
diferentes, apresentadas tanto em Brasília quanto em cidades-satélites.
Em Goiás, o festival passa pelos municípios de Goiânia, Anápolis, Goiás
Velho e Pirenópolis. De acordo com os organizadores, para a seleção das
peças foram observados aspectos como a inquietude do tema, formas de
abordagem e até questões estéticas.
Aproximando culturas
De
acordo com um dos organizadores, Sérgio Bacelar, o FTB ajuda a
aproximar as culturas de estados diversos. “A nossa intenção é que o
público tenha a percepção e a compreensão do que é feito pelo país.
Desta vez, temos a integração entre o gaúcho, o brasiliense e o goiano”,
explica. Segundo ele, o evento começou no fim dos anos 90, em Brasília,
com espetáculos da Bahia. Na quarta edição, as peças ganharam as ruas
das cidades-satélites.
O 12º FTB recebeu 109 inscrições, o que dá uma ideia da dimensão
da produção teatral do Rio Grande do Sul. “Os gaúchos têm muito a
ensinar, principalmente em relação à formação de público”, observa
Sérgio.
O destaque são os espetáculos infantis, com uma variedade de
temas dirigidos às crianças. Entre as peças, está Sacy Pererê, a lenda
da meia-noite (classificação indicativa livre). Trata-se de um teatro de
sombras, que conta a história de um aventureiro apanhado de surpresa
pelo Sacy, enquanto viajava montado em seu cavalo. O perneta faz tantas
diabruras que o homem cai e perde os sentidos. Acorda no dia seguinte
sem nada. Ao chegar a um vilarejo próximo, encontra ajuda e consegue
descobrir quem era a criatura e como caçá-la. Garantia de risadas e
muito mistério. A peça será apresentada no dia 2 de junho, às 16h, na
Funarte (Eixo Monumental). Ingressos a R$ 10 e R$ 5 (meia).
Outra atração é o teatro de bonecos Histórias da carrocinha
(livre), uma homenagem ao mestre-bonequeiro argentino Javier Villafañe.
Ao todo, são 14 bonecos manipulados por Mário de Ballentti e Paulo
Balardim, que englobam técnicas de manipulação, como varas e luva com
varas. Apresentação no dia 26 de maio, às 16h, na Sala Martins Pena do
Teatro Nacional. Ingressos a R$ 10 e R$ 5 (meia).
Boas expectativas
Para os adultos, o festival também
traz várias opções, que vão dos textos dramáticos aos mais hilários. Uma
das montagens é a peça A comédia dos erros. Livre para todos os
públicos, o texto trata da crise de identidade sob a ótica cômica. As
situações acontecem em torno de dois pares de gêmeos idênticos,
separados na infância durante um naufrágio e levados a cidades
diferentes. Até o reencontro dos irmãos, já adultos, os personagens
vivem uma série de mal-entendidos, em uma trama caprichosa e divertida.
Apresentação no dia 20 de maio, às 20h, na Sala Martins Pena. Ingressos a
R$ 20 e R$ 10 (meia).
A expectativa de Sérgio Bacelar é repetir, em Brasília, o sucesso
que as peças vêm fazendo na capital de Goiás. “Em Goiânia, o festival
normalmente tem um movimento de ‘decolagem de avião’. Este ano, foi uma
‘decolagem de foguete’”, compara. De acordo com ele, até esta última
semana, as peças já haviam sido prestigiadas por mais de oito mil
pessoas. “Estamos fazendo cenas de qualidade, espetáculos de rua
imperdíveis, com grandes cenários e estruturas de intervenções de rua”,
conclui.
Qualificação profissional
Além dos
espetáculos, o FTB oferece ações educativas para alunos da rede pública
de ensino do Distrito Federal. A metodologia aplicada é dividida em três
etapas. Primeiramente, uma equipe de arte-educadores vai ao encontro
dos alunos nas escolas para, em uma hora de aula, ampliar os horizontes
de percepção dos jovens. O segundo movimento é a frequência aos
espetáculos. Num terceiro momento, com o objetivo de discutir a
experiência vivenciada, os arte-educadores retornam às escolas para uma
nova conversa com os alunos.
Segundo Sérgio, essa ação faz parte do objetivo do festival de
buscar novos públicos e formar novos profissionais. “Em conjunto com a
Universidade de Brasília, faremos, ainda, cinco oficinas gratuitas.
Estamos buscando o fortalecimento da rede teatral”, explica. “Um dos
principais compromissos do FTB é o de democratizar o acesso a bens
culturais, a partir de apresentações em teatros, praças e feiras”,
completa.
Festival
do Teatro Brasileiro – Cena Gaúcha
De 15 de maio a 3 de junho em
Brasília e cidades-satélites. Mais informações sobre a programação no
site:
http://festivalteatrobrasileiro.blogspot.com.br
Sobre o festival
O Festival do Teatro Brasileiro surgiu em
1999, com a meta de divulgar a produção teatral brasileira. O evento já
levou, por exemplo, a cena mineira ao Rio de Janeiro, e as cenas baiana,
mineira e pernambucana para Brasília. No ano passado, o teatro mineiro
foi para o Rio Grande do Sul. “A possibilidade de mostrar um painel
representativo da produção cênica de um estado para o público de outro
estado é uma das singularidades do FTB”, explica Sérgio Bacelar. Ao
longo desses 11 anos, foram 111 espetáculos vistos por mais de 120 mil
pessoas, com 31.640 alunos beneficiados e 56 oficinas de qualificação.
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