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A volta dos Homens de Preto

Uma das franquias mais bem-sucedidas do cinema, Homens de Preto volta à telona trazendo novamente boas doses de humor e ação. Nesta entrevista, o ator Will Smith fala um pouco sobre seu papel no terceiro filme da série e seus futuros projetos

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Invasão alienígena e muita comédia. Esse é o segredo do sucesso da série Homens de Preto, que chega ao seu terceiro filme, tendo como estrela principal do ator Will Smith, novamente na pele do agente J. Desta vez, ele vai viajar no tempo – mais especificamente em 1969 – para tentar salvar seu parceiro, o agente K (Josh Brolin/Tommy Lee Jones), do vilão Yaz (Jemanine Clement) e, de quebra, salvar também o futuro da humanidade.

Com orçamento em torno de U$$ 215 milhões, Homens de Preto 3 (Men in Black 3, EUA, 2012) – em cartaz nos cinemas brasileiros – traz participações especiais de estrelas como Lady Gaga, Justin Bieber e o diretor Tim Burton, todos no papel de alienígenas. O primeiro filme da série, lançado em 1997, arrecadou mais de US$ 250 milhões no mercado americano e mais de US$ 587 milhões mundialmente. Já Homens de Preto 2 faturou US$ 190 milhões nos EUA e US$ 440 milhões ao redor do mundo.

A seguir, Will Smith fala um pouco sobre esta nova superprodução, dirigida por Barry Sonnenfeld.


Faz dez anos desde o último filme Homens de Preto. Por que um hiato de uma década?

Estávamos apenas à espera de inspiração. Eu acho que quando as pessoas assistirem a este filme, elas verão que valeram os dez anos de amadurecimento da ideia, dos personagens. Conceitualmente, é bem mais substancial do que os dois primeiros filmes. Acho que a terceira parte de uma franquia raramente é a melhor. O que motiva e justifica fazê-la é diferente do que motivou a produção do primeiro longa-metragem. Esse intervalo nos permitiu um distanciamento da badalação e da energia. Era preciso haver um tipo de recomeço na forma da ideia certa para se fazer um filme novo e bom, que tivesse seu valor individual.

No primeiro filme, J era um novato, o rebelde recalcado e com muita coisa a provar. Então, veio o segundo filme, e ele era um profissional, à vontade no seu papel, assumindo a liderança depois de K. Onde você vê o J agora, e como a jornada dele se compara à sua?
Aprendemos entre o primeiro e o segundo filmes que a dinâmica entre J e K era melhor quando J era um novato. Então, nós tentamos pensar numa maneira de fazer o J reviver a condição de novato. Tirá-lo da sua zona de conforto foi uma ideia brilhante para se mostrar esse agente superior numa situação desconfortável. E, você sabe, voltar à década de 1960, e o J estar lá, é fantástico! (risos) Você entende o que quero dizer? Estou com 43 anos agora. Sabe, sou um cara muito diferente e tenho um filho de 19 anos! É um outro mundo e, para mim, é um enorme prazer poder fazer um filme que nos remeta aos nossos 8, 9 anos, e que reintroduza essa ideia. Espero que, com muita imaginação, ele tenha sobre essas crianças o efeito que Guerra nas Estrelas (Star Wars) teve em mim.

O desenho de produção de Homens de Preto 3 parece brilhante, com todos aqueles alienígenas e conceitos que parecem pertencer a outra era da ficção científica. Você pode falar um pouco sobre o visual do filme?
Isso é trabalho do Barry Sonnenfeld. Se você analisar quadro a quadro, há milhares de piadas e sátiras políticas. Mas o que eu realmente adoro são os alienígenas retrôs. Eu acho que essa foi uma ideia absolutamente brilhante. Eles foram criados a partir da perspectiva da ficção científica dos anos 1960: Ray Bradburry, Isaac Asimov, Star Trek na TV, você sabe ao que eu me refiro. Aquele alienígena com o globo de vidro na cabeça, a garota pintada de azul, por exemplo. Isso é fruto do senso de humor distorcido de Barry Sonnenfeld, que se tornou sua marca registrada em Homens de Preto.

Na última década, a ideia das pessoas acerca do que é um grande espetáculo mudou. Há mais fantasia, elas conhecem mais a ficção científica, há super-heróis. Onde você situaria o conceito de Homens de Preto em meio a essa nova percepção do público?
Acho que o conceito de Homens de Preto irá se destacar na história do cinema mundial, ao falar sobre um grupo de agentes secretos que policia e monitora atividades alienígenas dentro e fora do planeta Terra. Não há nada que se compare a isto. A série é, claramente, única e este último filme determinará como a franquia se sustentará. Percebo, hoje, uma volta às ficções científicas dos anos 1970, em que o mais importante era a história. O que ocorreu nos anos 1980 com os filmes de ação é que, se você pusesse explosões suficientes, as pessoas iriam assisti-los.

Você não faz muitas sequências. Me ocorrem agora Os Bad Boys e Homens de Preto. Mas você faz muitos filmes que poderiam gerar continuações. Por que a escolha de evitá-las?
Eu provavelmente tenho mais dez filmes para fazer em que corro, salto, atiro, luto... (risos). E não vou desperdiçá-los. Algo como Bad Boys 3 é interessante, eu acho que aqueles personagens poderiam render um outro longa, mas não vou fazer isso sem que, anos depois, você se recorde e diga: “Aquele filme é melhor do que os dois primeiros”. Eu tenho pontos de vista, ideias e filosofias que quero dividir com o mundo; há coisas nas quais eu acredito, premissas morais que eu quero compartilhar. O filme precisa fazer tudo isso e precisa representar algo pelo qual eu me orgulharia de mostrar ao mundo, expressar o que eu quero dizer às pessoas sobre a vida e sobre mim ou sobre o que eu considero verdadeiro. Eu estou mais exigente com relação aos projetos que estou realizando agora.


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