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Wagner Moura esquece de cantar para se tornar fã
Entre desafinação e erros técnicos sobrou a emoção no show de Tributo à Legiao Urbana
Tamanho da Fonte Humberto Viana Redação CerradoMix
A reação do público à apresentação, ontem, do Tributo à Legiao Urbana, com a participação de Wagner Moura foi, no mínimo, controversa. Aguardada com ansiedade por fãs nostálgicos do grupo, o show marcou os 30 anos da banda brasiliense. O nome de Wagner - um dos ícones da atual cultura de massa brasileira e um artista que carrega qualidade em tudo o que faz - foi bem recebido nas primeiras notícias sobre a reunião do grupo. Ele carrega a aura da inteligência e vanguarda, tão atrelada à Legião.
O que seria um trunfo, no entanto, se tornou um ponto de polêmica, quando se constatou que, tecnicamente, Wagner não é capaz de segurar as canções de Renato Russo. Tão logo abriu a boca, Wagner pôs abaixo toda a esperança de um show a altura do passado do grupo. Justiça seja feita, não foi só Wagner. A parte técnica do show foi um desastre. O som era embolado e as caixas de som falhavam. Um fracasso completo? Não mesmo. A força das músicas de Renato Russo e a paixão dos fãs se mostraram maiores do que qualquer frustração técnica.
Foram 26 músicas cantadas em clima de catarse coletiva. Desafinação, microfonia e até erros de tempo de banda, foram atropelados pela avalanche que vinha do público. Wagner, que no começo estava nervoso, apreensivo, tocou o "foda-se". Piorou as interpretações a medida que o show avançava, mas, ao mesmo tempo, se deixou levar pela emoção de quem cantava a plenos pulmões letras de Renato. A verdade é que ele era mais um fã naquele local, só que com o microfone na mão.
O público parece ter visto sinceridade na postura do cantor-ator e foi solidário. Por mais que o Facebook e Twitter pululassem com mensagens ridicularizando Wagner e sua interpretação, nada era capaz de desfazer o que se via na tela da TV. Ali, naquele momento, o público, banda e cantor se tornaram uma coisa só. Foi bonito e emocionante. Os fãs puderam sair de alma lavada, lembraram das sensações que as faixas , ainda do tempo do Lado B e Lado A, provocavam em suas vidas. Não sei se a ideia de apresentar a Legião Urbana para as novas gerações tenha sido alcançada, mas, com certeza, a chama que andava meio apagada naqueles que viveram os anos 80 voltou a brilhar, mesmo que apenas por algumas horas.
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