Notícias


Branca de Neve e o Caçador desconstrói, para pior, o clássico dos irmãos Grimm
Filme se mostra como expressão máxima da falta de originalidade que assola o cinema
Tamanho da Fonte Humberto Viana Redação CerradoMix
O filme Branca de Neve e o Caçador, adaptação do conto dos irmãos Grimm, e que chega aos cinemas neste fim de semana, se mostra como expressão máxima da falta de originalidade que assola o cinema. Não afirmo isso por se tratar de uma história mais que manjada. Esse, na verdade, é o ponto menos desabonador dessa produção, carregada de referências, ideias e representações de outros projetos mais ou menos bem sucedidos.
Dirigida por Rupert Sanders, Branca de Neve e o Caçador segue o mesmo argumento da famosa história imortalizada pelo desenho de Walt Disney. Branca é uma jovem com cabelos escuros e pele clara. A beleza de Branca de Neve é o seu maior problema, pois quando ela vira a mais linda de todas, ela se transforma em uma ameaça para sua madrasta, Ravenna, que se alimenta da juventude alheia para continuar eternamente bela. Quando o espelho mágico diz a Ravenna que ela não é a mulher mais bela e, sim, sua enteada, ela manda seu irmão Finn (Sam Spruell) matá-la, mas Branca de Neve consegue escapar. A rainha, então, pede ajuda ao caçador.
Trata-se, porém, de uma versão moldada para os novos tempos. Isso se traduz em uma mixagem de referências da mitologia escandinava, bretã e celta, uma fórmula utilizada em filmes como Senhor dos Anéis, Crônicas de Nárnia e Harry Potter. São tantas as semelhanças com essas produções que o espectador vive uma permanente sensação de déjà vu.
Assim, a essência do conto dos irmãos Grimm é desconstruída para ganhar relevos de aventura. O resultado é que a protagonista perde seus contornos clássicos. A heroína, que na sua gênese é pueril, torna-se uma guerreira sagaz em busca de vingança. Os rastros da literatura infantil estão restritas ao espelho mágico e aos anões, que no filme carregam a robustez e personalidade de um Hobbit – mais um vez Senhor dos Anéis.
Um dos problemas do filme reside no elenco, a começar pela escolha da protagonista. Como que Kristen Stewart, que vive a Branca de Neve, pode ser mais bonita que Charlize Theron, a intérprete da Raina Má? Charlize é um deslumbre de mulher. Kristen, por sua vez, ainda não saiu do seu papel aguado da Saga Crespúsculo. É fraca, sem vida e sem encanto. Para piorar, carrega um olhar permanente de tristeza e autopiedade. O espelho, além de mágico, se passa por mentiroso ou cego.
Mesmo a esforçada Charlize Theron escorrega na interpretação. Em um legítimo overacting, a atriz mergulha em uma interpretação cheia de histeria e exageros. Falta humor à vilã.
Leia entrevista com Charlize Theron
Outro que não convence é Chris Hemsworth, o ator protagonista de Thor. Ao viver o caçador, Chris abriu a mala e vestiu o cabelo, a roupa, o olhar e os trejeitos do personagem da Marvel. Só esqueceu do martelo, substituído pelo machado.
Mas nem tudo está perdido. O longa se propõe a ser voltado para o público adulto e para isso reveste a história de elementos cênicos sombrios. Muitas passagens são bem resolvidas esteticamente. Com destaque para a floresta negra e as cenas com a Rainha Má. Mas isso é pouco frente à enorme falta de originalidade dessa produção.
Confira os horários de Branca de Neve e o Caçador nas salas da cidade.
Classificação Atual
( 4 )
Dê a sua classificação:
Comentários
Deixe seu comentário