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Prometheus escorrega ao não embarcar em viagem existencial
Ridler Scott retoma a série Alien, se sai melhor que seus antecessores, mas para no meio do caminho
Tamanho da Fonte Humberto Viana Redação CerradoMix
Ridley Scott é o maior
atrativo de Prometheus, filme que estreia neste fim de semana como um
dos grandes lançamentos do ano. O diretor britânico, que fez o
mítico Alien – O Oitavo Passageiro e o clássico Blade Runner,
duas das maiores referências de ficção científica do século XX,
retorna ao gênero 30 anos depois de sua última incursão no Sci-Fi.
Aos 74 anos Scott ainda mostra vigor ao fazer um filme que
impressiona pelas imagens e por um tema que, se não é explorado
como merecia, pelo menos abre caminho para uma reflexão futura.
Na trama do filme, Noomi Rapace (Elizabeth Shaw), uma cientista dedicada, acredita que os signos que encontra em diferentes culturas apontam para um convite. O homem está sendo chamado para ir às estrelas. Ela integra, então, uma expedição que parte em busca de repostas para a origem da existência humana.
A tripulação - liderada pela capitã Meredith Vickers (Charlize Theron) e assessorada por David (Michael Fassbender), um robô no melhor estilo Replicante de Blade Runner - chega a um planeta distante e começa a explorar uma área com vestígios de civilização. É o início de uma série de eventos que colocarão os humanos em um ambiente de terror. Trata-se, na verdade, não só de uma pista importante da gênese humana, mas também do que mais tarde seria conhecido como o Alien.
O clima é intensificado por uma atmosfera que muito lembra 2001, de Stanley Kubrick. A narrativa carrega indagações filosóficas e existenciais que são amplificadas pelas projeções futurísticas. As possibilidades de exploração de nossa espécie nos dá sensação de estarmos juntos nessa viagem. Mas o filme promete – sem trocadilhos - mais do que cumpre.
O projeto do filme foi o de retomar a série Alien. Dar um tratamento diferente do que essa criatura vem tendo nos últimos anos. Em parte, isso é conseguido. Scott é melhor que todos os seus antecessores nesta franquia. Mas é inevitável cair nos cacoetes e maneirismos. Mesmo com sequências convincentes e direção de arte diferenciada, as imagens de gosmas e as possessões de corpos acabam resvalando nos clichês atrelados à Alien. Desse modo, a aventura intelectual emagrece em proveito das cenas de ação.
Mas o filme é eficiente. Com ambiente hostil e um parasita espacial, não é difícil embarcar nesse pesadelo. Alien representa nossos medos mais profundos e, nesse sentido, Prometheus é estressante. As cenas de nascimento do alienígena são sempre impactantes e aqui funcionam mais uma vez.
De maneira geral Prometheus não é um filme ruim. Ainda existe potencial para o tema ser explorado. Ao final do filme é deixada uma clara intenção de dar continuidade a essa história que, para terminar bem, deve seguir as pistas do início de sua viagem: quem somos? De onde viemos? Para onde estamos indo?
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