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Soltando a voz nas estradas

Um dos maiores ícones da música popular brasileira, Milton Nascimento vem a Brasília com o show comemorativo pelos 50 anos de carreira. O cantor também celebra os 40 anos de lançamento do álbum duplo Clube da Esquina

Tamanho da Fonte     NARJARA CARVALHO
ncarvalho@jornaldacomunidade.com.br
 Redação CerradoMix

Sem dúvida, 2012 é um ano especial para Milton Nascimento. O cantor e compositor comemora 50 anos de carreira com 40 discos lançados, ganhou Grammys, lançou DVDs, um selo musical e conquistou uma trajetória musical que atravessou as fronteiras do Brasil. Carioca de nascimento e mineiro de coração, Milton tornou-se nacionalmente conhecido pela canção Travessia, que ocupou a segunda posição no Festival Internacional da Canção, de 1967. Daí em diante, seguiram vários discos, participações em festivais, trilhas em novelas e filmes, transformando-o em um dos nomes mais importantes da MPB.


Para celebrar sua trajetória, o cantor viaja pelo país com a turnê Milton Nascimento – 50 anos de carreira, que teve início em Juiz de Fora (MG), em abril deste ano. Em Brasília, o show acontece neste sábado, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães e, então, segue para as cidades de São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Rio de Janeiro e Três Pontas, no sul de Minas, terra de Milton. Além do jubileu de ouro, a turnê comemora também os 40 anos de lançamento do histórico álbum duplo Clube da Esquina e os 70 anos de vida do cantor, que faz aniversário em 26 de outubro.


Parte dessa história estará no palco do show que o músico fará em Brasília. “Esse ano está sendo muito especial para a gente e fico muito feliz de poder dividir isso com as pessoas”, diz. Com a direção de Regis Faria, a apresentação traz alguns dos maiores sucessos da carreira do cantor. De acordo com ele, a seleção das músicas não foi tarefa fácil. “Escolhemos antes mesmo dele reunir a equipe para discutir a concepção do show”, explica.

A turnê é também uma celebração da amizade, que sempre foi um dos nortes na vida de Milton. No palco, ele contará com a participação de pessoas especiais em sua trajetória, entre eles, Lô Borges, amigo com quem dividiu o disco Clube da Esquina e, desde então, tem sido um dos seus grandes parceiros musicais.

Na entrevista a seguir, o músico relata ao Jornal da Comunidade curiosidades sobre sua carreira, projetos futuros e detalhes acerca de sua apresentação em Brasília.


Qual fase nesses 50 anos de carreira você considera o auge de sua trajetória?
Tudo o que aconteceu na minha vida até hoje eu considero muito especial, desde quando comecei a tocar na noite, aos 13 anos de idade, junto com Wagner Tiso. Éramos tão jovens que tínhamos de nos esconder na cozinha dos lugares onde tocávamos, para fugirmos dos agentes do Juizado de Menores. Também nunca me esqueço dos bailes que fazíamos na época, das viagens pelo sul de Minas, enfim, acontecimentos que foram de extrema importância para a minha carreira. Gosto de pensar na minha vida como um todo: os amigos, os lugares que passamos e, principalmente, o prazer de viver esse tempo todo com a música.

Existe algo na música que você ainda gostaria de conquistar, um projeto ainda não realizado?

Não posso reclamar de nada, consegui coisas que eu jamais pensei em ter. E, para minha sorte, sempre estou envolvido em vários projetos ao mesmo tempo. Pois, além desta nova turnê, o compositor Chico Amaral está preparando um livro baseado em conversas que estamos tendo desde o começo do ano. Vai ser um livro de histórias, com lançamento previsto para ainda este ano. Também está sendo preparado um musical pela dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, que vai se chamar Milton Nascimento – Nada será como antes, e a estreia será no segundo semestre. Outras coisas muito importantes devem acontecer ainda em 2012, mas disso ainda não posso falar, é surpresa.

O que os brasilienses podem esperar do show?

Esta turnê, que conta com o apoio fundamental da Natura, começou oficialmente em Juiz de Fora, no dia 21 de abril, depois, passamos por Belo Horizonte, onde fizemos uma apresentação no Palácio das Artes, no dia 27 de abril. E como eu nunca deixo de fazer shows em Brasília, é claro que a cidade tinha que estar neste roteiro. Comemoramos 50 anos de carreira, 45 de Travessia e 40 de Clube da Esquina. A direção é de Regis Faria, que trabalha com uma equipe que inclui cenário, luz, videografismo e figurino.

Como o repertório foi selecionado? Afinal, são mais de 30 discos...

O repertório foi escolhido em conjunto com Regis Faria, e isso foi uma das primeiras coisas que decidimos, antes mesmo dele reunir a equipe para discutir a concepção do show. Mas, entre tantos discos, foi muito difícil chegar a algo definitivo.

Qual o disco ou canção você destacaria como a mais próxima do Milton Nascimento como pessoa?
Se eu disser que gosto de todos os meus trabalhos você dificilmente iria acreditar. Mas a explicação é simples: tenho carinho por todos os meus discos, porque eu sempre faço exatamente aquilo em que eu acredito. E eu nunca fiz um trabalho que tenha sido imposto por alguém, por gravadoras, etc. Mas é claro que alguns trabalhos acabam marcando mais do que outros. Isso eu não posso negar.

Entre os jovens talentos da MPB, quais você aprecia e considera como promissores?

Gosto muito de Maria Gadú, Roberta Sá, Esperanza Spalding, Dani Black, Rodrigo Maranhão, Hamilton de Holanda, Daniel Santiago e Gabriel Grossi. Todos eles fazem um trabalho que me agrada bastante. Sem falar que eu tenho o privilégio de ser amigo de toda essa turma. E isso sim é mais importante: a amizade.

 

 

Serviço:
Milton Nascimento – 50 anos de carreira - Dia 16 de junho, às 21h, no Salão Máster do Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Ingressos a R$ 30 (Mezanino), R$ 40 (Especial) e R$ 50 (Vip). Valores referentes à meia-entrada. NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS.


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