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Um lição de delicadeza e emoção

Terceiro filme de Breno Silvera, À Beira do Caminho, é tão bom quanto as canções de Roberto Carlos que embalam sua história

Tamanho da Fonte     Humberto Viana  Redação CerradoMix

[legenda=João Miguel e Vinícius Nascimento: elenco primoroso]Depois de arrebatar público e crítica com 2 Filhos de Francisco e conseguir o efeito contrário com Era uma Vez, o diretor Breno Silveira apresenta a prova dos nove com o À Beira do Caminho, drama que estreia neste fim de semana nos cinemas da cidade. Para conseguir o mesmo reconhecimento que seu filme de estreia, Breno volta mais uma vez ao cerne de seu filme de estreia: a canção popular. Se em 2 Filhos de Francisco a inspiração era o cancioneiro sertanejo, desta vez, Breno aposta no maior nome da canção românica: Roberto Carlos. O resultado não é outro senão a transposição para as telas da delicadeza e emoção das canções do Rei.

O filme conta a emocionante história de João (João Miguel), um motorista de caminhão que vive a angústia de uma grande perda no passado. O remorso e a solidão o afasta das pessoas e do mundo. Sua vida começa a tomar sentido quando seu caminho se cruza com o de Duda (Vinìcius Nascimento) um menino em busca do pai que nunca conheceu. Do encontro vai nascer uma relação que aos poucos vai ajudar João a sair da sua sinistra zona de  conforto.  Ambos vão cruzar o sertão nordestino na boleia de um caminhão em uma viagem de reconstrução e compreensão.

De todas as críticas dirigidas À Beira do Caminho, a mais constante e direta é a de que se trata de um filme melodramátcio e cafona, na medida em que explora os sentimentalismo barato presentes nas canções ditas bregas ou populares. Essa é a percepção mais rasteira e preconceituosa que se pode ter desse trabalho. O filme de Breno possui uma sensibilidade rara no trato do drama humano e se ampara em um elenco primoroso e um roteiro muito bem amarrado para se desenvolver.

 

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João Miguel faz seu show habitual. Veste o personagem como se fosse o último da sua vida e sabe dar densidade a cada olhar, a cada gesto e palavra. Ao seu lado está a a incrível descoberta de Breno Silvera: Vinícius Nascimento, uma criança de 10 anos escolhida entre 500 candidatos ao papel. De olhar extremamente expressivo e uma forma de atuar sem exageros, sem afetação alguma, o menino faz juz à dura seleção que teve de enfrentar. Dira Paes também faz sua parte. Habitué das telonas, a atriz rivaliza com João em suas cenas e protagoniza uma das cenas de amor mais lindas do cinema nacional.

Permeando tudo isso está a trilha sonora que não é apenas um elemento solto. Ela é a base do filme. Interage com a história não apenas marcando cenas, mas agregando as emoções, já que as canções de Roberto, suas letras, já trazem uma memória emocional aos expectador.

É verdade que a história tem muitos pontos em comum com outros filmes nacionais. Impossível não lembrar da transformação de Dora (Fernanda Montenegro) pelo menino Josué (Vinícios de Oliveira) em Central do Brasil, ou da saga do caminhoneiro Romão (Wagner Moura) em O Caminho das nuvens. Mas Só se prende a esse pequeno detalhe quem não quer ver o todo. Quem já entra na sala com seus conceitos formados. A esses, o próprio filme dá a sua lição em um parachoque de caminhão: Prepara-se para o pior, espere o melhor e aceite o que vier.


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