Agenda
Dança Baraka
Horário: 19:00 | Local: Teatro Nacional - Sala Alberto Nepomuceno

ESPETÁCULO DE DANÇA BARAKA

QUEM É MIRABAI:
Atriz, dançarina, pesquisadora e professora, desde 1987 estuda as técnicas da dança tendo como matéria-prima as expressões corpóreas da Dança Clássica Indiana, no estilo Bharata Natyam. Formou-se em artes cênicas na Faculdade Dulcina de Moraes (Fundação Brasileira de Teatro), em Brasília (DF).

 

Sua pesquisa objetiva descobrir e utilizar criativamente a linguagem pessoal, criar vocabulário próprio em cena e suas possibilidades expressivas, utilizando o teatro e a dança como linguagens simultâneas. A busca por uma expressão pessoal resulta em performances de beleza sublime. As expressões teatrais (abhinayas), por denotarem rica espiritualidade, apurado sentido estético, musicalidade infalível e técnica sutil, inspiram o corpo da artista a “flutuar” em cena.

 

Talvez a característica mais expressiva de Mirabai, que reflete sua alma com profundidade convincente e graça, esteja nos olhos. Sua formação acadêmica foi aprimorada com estudos do teatro Nô e Kyôgen, Kutipudi, Odissi, Teatro de Máscaras Balinesas e a antropologia teatral (‘Odin Theatre’, com o diretor Eugênio Barba, Dinamarca), conhecimentos que são referências em seu trabalho. Mirabai promove a dança e o teatro em vários espetáculos e performances. Trabalha objetivamente para melhorar a apreciação e os conhecimentos da tradição da Dança Clássica Indiana e a pesquisa entre a tradição e a inovação. Escreve artigos sobre o tema e prepara Catálogo das técnicas estudadas.


Mirabai promove, neste espetáculo, importante intercâmbio de técnicas entre Brasília, Paraná, Espírito Santo e a Índia, o que amplia as fronteiras da arte e as possibilidades da dança na cena contemporânea.

O ESPETÁCULO DE DANÇA BARAKA:
O projeto de pesquisa e espetáculo BARAKA foi idealizado pela dançarina, atriz, pesquisadora e professora MIRABAI. Seu trabalho de atriz é influenciado pelo Oriente e, as técnicas corpóreas, na composição de seus personagens e dança pessoal. O contato da autora com o estilo de Dança Clássica Indiana Bharata Natyam e suas sucessivas viagens de aperfeiçoamento, promoveram o diálogo entre prática e teoria e, fica claro também, na escolha dos espetáculos encenados. A associação da criação cênica interartística com o aprimoramento técnico, aliada à pesquisa transcultural, conduz a um conceito estético inovador.


BARAKA significa sopro, respirar junto, palavra que tem sua origem no sufismo, a presença do sagrado da vida. Neste espetáculo, inspirado em rituais de várias tradições pertencentes a diversas culturas, a presença feminina é fonte de inspiração. O ritual de pintura das mãos antes do casamento indiano, a relação com os véus da mulher do oriente-médio, a relação dos pés e quadris da mulher africana, onde cada parte do corpo dança e ajuda a celebrar a presença da vida na sua fonte. O corpo da mulher numa espécie de geografia corpórea. O espetáculo demonstra as fontes de energia criativa da artista em cena e suas possibilidades extremas. Cada parte do corpo (cabeça, olhos, pés e mãos) representa alternadamente um papel de primeiro plano.


A hierarquia nunca é fixa. Cada movimento é executado literal e sucessivamente com olhos, cabeça, tronco, pernas, pés, braços e mãos para criar sequências coreográficas que se expressam individualmente. Resultado da investigação, observação e sistematização de um método de pesquisa realizado por uma brasileira, que se apropia de uma técnica estranha à sua e reelabora um novo vocabulário corporal.


O objetivo, a dança, significa o caráter de expressão pessoal da artista. O espetáculo, inspirado na dança Clássica Indiana, além da forma em sua essência, atinge profundamente o espectador.
Durante a pesquisa, o trabalho sobre a dança foi sistematizado e organizado pela presença corpo/mente/espírito e o processo de auto-conhecimento da atriz. Atriz que não separa vida e arte para dançar seu Universo Mágico que brota do inconsciente e de trabalhos inspirados em técnicas como Biodança, Reik, retiros espirituais e rituais com mulheres. O trabalho procura, também, resgatar de forma lúdica, poética e lírica o sentido da vida no mundo contemporâneo, sobrecarregado pelo excesso de informações tecnicistas que fragmentam e alienam o Homem de si mesmo.


O eixo da pesquisa pode, assim, se transformar na estrada que nos conectaria de forma mais sublime na extenuante jornada para o sagrado da Beleza e da Vida. A pesquisa foi realizada sob orientação da bailarina de Dança Clássica Indiana estilo Bharatanatyam Sri Rhade, de Curitiba (Paraná), com treinamento corporal da tradição e a elaboração de uma escrita sobre princípios da técnica.


Em Brasília, também foram realizados estudos e treinamentos com a Bailarina de Kutipudi Ana Paiva, do Espírito Santo. Importante registrar o intercâmbio com o Bailarino de Bharatanatyam, padre Joachim Andrade (Índia), Doutor em Antropologia, com mestrado em Antropologia Social pela Universidade Federal do Paraná, que abordou a Dança Clássica Indiana.

http://mirabai-baraka.blogspot.com/?spre

Depoimento do professor/doutor Reinaldo Guedes Machado, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (UnB) sobre MIRABAI.


“Não faz muito tempo. Maria (MIRABAI) foi minha aluna na disciplina de Teoria das Artes no curso de pós-gradução da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília. A turma era hetereogênea: alguns alunos arquitetos, um licenciado em educação artística, um bacharel em História e ela.


Visando aproveitar os diferentes saberes ali reunidos solicitei como trabalho escolar que cada qual elaborasse uma apresentação baseada em suas vivências anteriores no campo artístico. Maria (MIRABAI) dançou, na pequena praça em frente ao centro acadêmico, lugar de trânsito dos que se dirigem para a próxima aula, onde permanecem os que descansam, namoram ou discutem a política estudantil em toscos e velhos sofás.


Pouco a pouco, a faculdade agitada e ruidosa naqueles momentos de intervalo entre aulas, silenciou.
Paradoxalmente, como se fora som, o silêncio, foi-se propagando pelas salas vizinhas e atraindo alunos, professores e servidores que se acomodavam como podiam para apreciar a beleza que acontecia inesperada num lugar inadequado! Que sabíamos nós, meus alunos, colegas e eu, da dança indiana para apreciar a arte que se realizava naquele momento? No entanto, ainda que incapazes de uma apreciação judiciosa, todos fomos envolvidos pela verdade profunda que emanava das mãos, dos olhos, do movimento do corpo da dançarina. A opacidade pesada da matéria dava passagem ao espírito que a conduzia e nos reunia num espaço e num tempo além da contingência concreta do cotidiano. Isso aconteceu e eu me lembro, para confimar John Keats: Um instante de beleza é uma alegria para sempre. (Endymion, em tradução livre)”.


Serviço
Pontos de Venda:
Bilheteria do Teatro Nacional
Preço:
R$ 20,00 - inteira

R$ 10,00 - meia
O Cerrado Mix está de acordo com a nova lei de classificação indicativa.