Tropeço quer dar vida ao simples. Sobre uma mesa, com baús e alguns pequenos objetos cria-se um mundo onde dois atores manipuladores e suas mãos dão vida a duas personagens: duas velhas que moram juntas. Partindo da costumeira visão que temos da velhice mostra-se sua solidão e as pequenas ações rotineiras, porém cria-se um universo de sutileza e extravagância, poesia e comicidade em mãos que andam, dançam, bebem, respiram, riem e choram.
Tropeço é parte de uma pesquisa em dramaturgia física, a fragmentação de parte do corpo que ganha personalidade através do movimento.
Essa linguagem é a continuidade e a junção dos trabalhos corporais desenvolvidos pelos integrantes nas áreas de teatro, dança contemporânea, mímica e teatro de formas animadas. Toda a estrutura cênica foi concebida com simplicidade de modo a valorizar os movimentos das personagens, pois todo o roteiro é compreendido através de suas ações e onomatopéias, sem a utilização de palavras.
Tropeço pretende estimular a imaginação do espectador ao recriar na visão de duas mãos a imagem de um ser inteiro. Tratar a velhice de forma não convencional através de uma dramaturgia aberta na qual o espectador faz sua própria leitura.
